Espetáculo

O espetáculo


Estréia dia 02/07 às 15horas na Fundação Cultural de Blumenau.



O processo


De Setembro de 2010 à julho de 2011, gestamos o primeiro espetáulo da Trupe.

Inicialmente sob a orientação acrobática de Monica Costa e direção de Rafaela Catarina a pesquisa teórico-pratica do espetáculo iniciou a partir da escolha do grupo de trabalhar com a estética circense, a partir dai passamos por um período de resgate das nossas memórias e relações com o circo buscando traçar um imaginário circense que pudesse estar presente nos elementos fundamentais do nosso espetáculo. E foi nesse exercitar-se que surgiram as primeiras questões vitais de discussão que desencadearam na utilização do conceito Sociedade do Espetáculo, teorizado por Guy Debord. 

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Cabe compartilhar aqui o texto que deu sentido e direção ao processo que pouco a pouco perambula nos trilhos da autogestão...



Linhas gerais sobre os desafios de uma montagem:

“A distância que há entre o discurso que eu faço sobre o meu espetáculo e o meu espetáculo”. (Mallet)

      O maior desafio de uma montagem, é seguramente, a realização das ideais. Por isso é necessário que no processo de construção do espetáculo as intenções das ideias se sobreponham a idealização das imagens/cenas que pensamos para o espetáculo. É precioso nesse período o exercício do desapego e da desconstrução - das ideias e das intenções -,  considerando um fim estéticamente uno, onde a técnica integre o espetáculo de forma a revelar o todo e não fragmentá-lo (como acontece muito nas montagens ditas modernas).  Para que se consiga isso, é imprescindível que as intenções tenham encontrado a linguagem certa, que os atores estejam fluidos nessa língua e que todos que trabalham no desenvolvimento do espetáculo, acreditem e partilhem as mesmas motivações – existem teatros que se fazem sem essas necessidades, mas falo aqui de um teatro, essencialmente, humanizado(r).
      Para cada elemento que compõem um espetáculo é necessário saber responder,  qual a intenção dele em cena? E isso se estende a materialidade – textura, cor, movimento, sombra – e simbologia deste elemento. Por que? Como eternas crianças que duvidam da lógica que faz girar o mundo, a cada coisa, gesto e fala que compõem uma peça temos de perguntar. Se somos artistas, somos observadores que não contemplam a forma que se apresenta pronta nas coisas, mas tudo o que as envolve e é envolvido por elas.  Assim, temos de buscar uma arqueologia de nossas ideias  para chegarmos a uma materialidade de nossas intenções. Dizer isso implica compreender o ato de fazer teatro, como o de preparar um presente para alguém de quem se é íntimo, o público. Aqui reside o real desafio, aquilo que outrora fora ideia, há que se transformar e, só expressará de fato suas intenções, se for visto por alguém e, de alguma forma, compreendido por esse alguém. Aqui cabe uma observação severa: ora, se o que fazemos é feito para o público, porque fazer algo incompreensível? Façamos teatro para, passar por certo, para abranger, incluir, perceber, ser entendido e entender.
      A relação do público não é estabelecida por mera empatia aos elementos cênicos – isso seria uma instalação, não teatro -  o responsável pela compreensão do espetáculo é o ator – não ele propriamente dito, mas ele no exercício de seu ofício – e em cena o ator está em movimento. Este movimento, não pode, assim como os outros elementos não podem, ser por ele mesmo. Há que se ter uma intenção – e aqui muitos dos grandes teóricos, depois de Stanislavsky, discorreriam sobre: objetivo – e para toda intenção uma ação, que como uma linha escrita num texto, deve ter começo, meio e fim, para compor um corpo textual que também começa, desenvolve-se e finda, numa emaranhada compensação de frases.  Assim como uma partitura musicada precisa ter um tempo, um (im)pulso e um ritmo, ligados pela harmonia – que dá dinâmica à dança da bailarina que possui uma trajetória e um eixo. Todos esses, são elementos que devem  estar conscientes na realização de ações-dramáticas isoladas e/ou imersas no todo do espetáculo, bem como o todo deve ser arranjado a partir desses princípios. 
      É assim que se pensa uma peça, de dentro para fora e de fora pra dentro, isolando e unindo as intenções e as ações, para que não se contradigam as vontades dos atores em cena e do público na plateia. É preciso ter mais sensibilidade para conseguir isso do que técnica – de muitos espetáculos perfeitamente técnicos vi o público comentando sobre a luz,  se o público vê a luz certamente deixou de ver a poética a qual devia estar ligada essa luz, a atmosfera pretendida com a luz fragmentou-se.  O elemento se sobrepôs ao invés de  compor. E para compor temos de perguntar e, muitas vezes, para responder temos de experimentar, improvisar – e em alguns casos testar perante o público.   Por isso, também, que o ator tem de ser íntimo do público, porque é a relação com o público que faz viver a materialidade da cena, que vive por instantes a mercê de quem vê e de um roteiro previamente definido – que não deve ser visto.  

O Projeto 

Aprovado pelo Fundo Municipal de Apoio a Cultura o texto que se segue foi o primeiro impulso de organizar numa estrutura formal as vontades em curso no trânsito dos nossos encontros...

Objetivos:

Este projeto propõem ampliar as possibilidades de expressão e ludicidade do nosso fazer teatral a partir da pesquisa e junção de três linguagens cênicas: o teatro do ator-compositor, a dança teatro e o teatro acróbatico, num mesmo espetáculo.  
 
Pesquisar elementos do teatro acrobático, dança teatro na perspectiva do ator-compositor;  

Experimentar e improvisar possibilidades de arranjos cênicos unindo os focos de pesquisa para então:

-Estruturar os elementos obtidos através da improvisação numa montagem que atendam as perspectivas artísticas do grupo, consciente do contexto histórico-cultural ao qual estão inseridos; 

-Desenvolver uma linguagem estética que amplie a comunicação dos elementos arranjados, com a preocupação de que cenário e figurino integrem o macro-arranjo do espetáculo teatral; 

-Produzir material de divulgação;  

-Realizar apresentações de forma descentralizada dos espeços formais de apresentação teatral existentes na cidade de Blumenau;

-Promover workshops envolvendo as linhas de pesquisa do grupo, tendo como público alvo as pessoas que assistam ao espetáculo.

Justificativa

Como arte, que o teatro é, a sua origem vem da espontaneidade, do jogo e então, da improvisação. A improvisação está presente no tripé de sustentação do teatro, que cerca os elementos: ator, dramaturgia e público. Sendo assim,  buscamos explorar a importância do ator apoderado da sua capacidade de criação a partir do jogo teatral para um envolvimento sólido com o aqui e agora, indispensável à realização teatral.  A pesquisa e experimentação baseada no jogo teatral, promove o desabrochar psico-afetivo e intelectual do indivíduo, pela aquisição de valores, pela capacidade de transformar a discordância ou a oposição entre o mundo interior, "subjetivo", dos desejos e o mundo exterior "objetivo", que resiste a esses desejos, esta práxis possibilita a aquisição de uma linguagem pessoal, que desenvolvida em grupo consolida uma linguagem ainda mais ampla que inclui valores sociais.
O ator criador é observador e questionador do universo que integra-o  e é integrado por ele, quando seus anseios encontram a liberdade de expressar suas convicções em palco, torna-se crítico e agente-social, deste contexto. Quantos mais elementos permearem o desenvolvimento do ator, amplia-se também o universo expressivo que este consegue englobar em suas discussões. Para alcançar estes intentos, pretendemos nos aperfeiçoar nas técnicas de teatro acrobático, nas categorias de mão à mão e solo,  e  dança teatro.
Situados em Blumenau, pouco discutimos e quase não vemos alternativas que englobem outras possibilidades cênicas, tais quais nos propomos pesquisar, experimentar e usar como elementos estruturais para futura montagem. Além de nos aprofundarmos, enquanto atores, nesta busca queremos, com a concretização do objetivo, difundir e fomentar o conhecimento e interesse à estes elementos para o público.
O projeto propõem ainda a solidificação, enquanto grupo teatral, de atores em processo de formação que desde o início do ano (2010) veem estudando e discutindo o fazer teatral na cidade Blumenau enquanto descobrem as possibilidades da acrobacia e dança como elementos constituintes da cena.   




Relatório Final do Projeto

1. Objetivos e Metas

1.1 Objetivos

O objetivo geral do projeto Elementos Acrobático – 080 se  propunha  ampliar as possibilidades de expressão e ludicidade do fazer teatral a partir da pesquisa e junção de três linguagens cênicas: o teatro do ator-compositor, a dança teatro e o teatro acróbatico, num mesmo espetáculo;  nesse sentido pode-se dizer que o objetivo foi desenvolvido na totalidade de sua proposição tendo abrangido outras linguagens que se fizeram indispensáveis no processo de pesquisa e construção do espetáculo, cabendo aqui citar: teatro de trupe, teatro de rua, o clown, a perfomance e a música.
No que se refere aos objetivos específicos pode-se dizer que embora tenhamos persistido na pesquisa conforme descrito no texto do projeto aprovado diferentes enfoques foram sendo atribuídos aos conceitos, antes exógenos a nossa prática de grupo tendo em alguns momentos ocorridos saltos tais como:
A  idéia de um teatro acrobático que foi simplificado e passou a ser acrobacia compondo o repertório da trupe potencialmente podendo ser utilizada como recurso cênico tanto na perfomance quanto numa estrutural teatral arranjada – a partir da improvisação e criação de movimentos acrobáticos.
A  dança teatro  tem ainda uma pesquisa tímida  dentro do grupo é  mais  investigada na prática das nossas intervenções no espaço cotidiano, em perfomances estando refletida no arranjo cênico como elemento de conexão entre uma cena e outra.
A perspectiva da grupo de trabalhar com o conceito do ator-compositor, do autor e professor Matteo Bonfitto serviu inicialmente como impulso para libertar os corpos no espaço potencializando o desenvolvimento de uma linguagem individual do ator;  entre tant0 cabe dizer que em meados do processo a realidade de nosso trabalho nos mostrou com mais veemência a utilização prática do conceito “ator-encenador” (tal qual ele é defendido pelo grupo Ói Nóis Aqui Travez), no momento em que as línguas individuais começaram a entrar num diálogo de composição do que se tornaria, mais que o espetáculo, a linguagem coletiva e a identidade da Trupe Perambula, que havia emergido da junção dos nossos pés (e mentes).
Os demais objetivos descritos no projeto já estavam nessa fase do processo contaminados pela nossa práxis, que consiste em não haver um arranjo-cênico fixo que aprisionem os personagens e as idéias, mas,  uma estrutura maleável baseada nas relações sociais desses tipos sociais e uma dramaturgia improvisada composta pelo discurso desses seres sociais em relação.  Considerando que flexibilizando, de acordo com o momento e o local das apresentações, essa estrutura cênica, baseada nas relações humanas (ou na ausência delas)  exercitam a nossa leitura do contexto histórico-cultural ao qual estamos inseridos agindo diretamente na leitura que se pretende tornar visível a partir da representação.  
Quanto a concepção dos elementos de cenografia,  figurino e maquiagem a pesquisa  foi coletiva e aconteceu simultânea ao processo de construção dos tipos sociais,  sendo que os elementos simbólicos partiram na maioria dos casos das improvisações que traziam para cena as reflexões compartilhada entre os atores; 
-A produção do material de divulgação é um processo que ainda está em andamento e abrange:

01 Cartaz desenhado à mão
10 cartazes  digitais
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Vídeos do processo e de apresentações (em processo de edição)
Fotografias (em processo de escolha e edição)
Jornal informativo (em processo de revisão)
Compilação dos textos, diários de bordo, imagens, músicas, receitas que fizeram parte do processo  (estará disponível  impresso para troca com grupos amigos e online no blog na seção: diário de bordo – ainda em fase coletiva de construção)
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Realise em e-mail.
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No que diz respeito à realizar apresentações de forma descentralizada dos espaços formais de apresentação teatral existentes na cidade de Blumenau, entendemos que pelo fato de estarmos fazendo teatro de rua esse objetivo está ultrapassado, porém o grupo pretende apresentar o espetáculo em bairros e bem ocupar as praças da cidade pretensão que cabe ser descrita aqui.

O primeiro workshop foi realizado na Fundação Cultural de Blumenau conforme descrito na contrapartida social, com resultado bastante satisfatório. 

1.2 Metas
- realização do projeto  e distribuição dos produtos culturais:

Atingimos um público de cerca de 500 pessoas da população em geral de todas as faixas etárias, porém não conseguimos ainda apresentar as nove vezes, descritas no projeto. Todas as apresentações foram gratuitas, não havendo retorno financeiro nenhum para o grupo, essa opção de não cobrar entrada no espetáculo se faz presente pela opção de termos escolhido a rua como local de apresentação e tem fundamentos numa decisão ética de veicular arte gratuita para a população. As cinco apresentações que faltam estão sendo agendadas e serão realizadas no decorrer deste ano e também serão gratuitas – porém o espetáculo desde já compõem o repertório do grupo e não terá sua circulação interrompida depois de comprida esta meta.

O tempo de duração do projeto excedeu em seis meses do planejado (motivo pelo qual ainda estamos em processo de desenvolvimento de algumas atividades do espetáculo)

2. Estratégia de Ação

PRÉ-PRODUÇÃO/PREPARAÇÃO  
Pesquisa prática e teórica a cerca dos elementos constituintes da peça;
Levantamento e discussão de referenciais temáticos e estéticos para iniciar as improvisações;
Improvisações, codificações de cenas e ensaios
Compra de materiais
Produção de cenário e figurinos
Desenvolvimento do material de divulgação, cartazes, blog e jornal
PRODUÇÃO/EXECUÇÃO  
Envio de convites por e-mail e chamadas nos locais de apresentação;
Apresentações
Realização dos Workshop